No dia 11/05/11, o site UOL Notícias
publicou, no setor Ciências e Saúde, a
matéria “Refrigerantes com zero caloria não
ajudam a emagrecer”, na qual demonstrou que
os refrigerantes adoçados com adoçantes
artificiais não favorecem a saciedade e
ainda podem aumentar o consumo alimentar no
indivíduo, contribuindo para o aumento de
peso. A matéria ainda afirma que o aumento
do peso corporal pode ocorrer devido a
mecanismos biológicos, que envolvem, além da
diminuição da saciedade, costume do paladar
e maior absorção de nutrientes na digestão,
e a fatores psicológicos, de compensação de
calorias não ingeridas pelos adoçantes,
aumentando o consumo de outros alimentos.
De fato, a literatura comprova a maior parte
dessas afirmações por meio de estudos
englobando a administração de adoçantes
artificiais, tanto em ratos quanto em
indivíduos. O fator mais observado na
maioria dos estudos é a direta relação entre
aumento de peso e o consumo de adoçantes
artificiais, tanto inserido em bebidas
quanto em alimentos semissólidos, como o
iogurte. Tal relação pode também ser
observada em estudos populacionais
americanos, onde observamos que o aumento do
consumo de adoçantes artificiais coincide
com o aumento do número de indivíduos obesos
(IMC > 30).
De acordo com a literatura, a principal
razão para a ocorrência do aumento de peso
seria um aumento na ingestão de alimentos,
mas ainda não se sabe ao certo como isto
ocorre. Algumas hipóteses tem sido
levantadas e uma delas seria que os
adoçantes artificiais promoveriam este
aumento através da falha na diminuição da
atividade do hipotálamo (centro da fome no
cérebro) e da baixa ativação do sistema
dopaminérgico mesolímbico, reponsável pela
sensação de satisfação, após a ingestão de
algum alimento. Assim, a falta da saciedade,
juntamente com a constante estimulação da
fome, manteria o comportamento por procura
de alimento no indivíduo, aumentando sua
ingestão alimentar.
Outra hipótese estaria relacionada com a
desregulação da ativação da fase cefálica da
digestão. Normalmente, quando ingerimos um
alimento com açúcar, o sabor doce deste
promove a ativação do que chamamos de fase
cefálica da digestão, que consta na
preparação do corpo para a chegada de tal
alimento, incluindo tanto a liberação de
enzimas e outras substâncias que participam
da digestão quanto a regulação energética
corpórea. No entanto, o alto consumo de
adoçantes artificiais em preparações não
calóricas (ex: refrigerantes, café, e outras
bebidas) promoveria uma desregulação na
capacidade do sabor doce de ativar tal fase
cefálica, resultando em um prejuízo da
regulação energética, principalmente quando
forem consumidos alimentos doces e
calóricos, e levando a um aumento da
ingestão calórica.
Os tipos de adoçantes que foram mais
correlacionados com este efeito no aumento
de peso são a sacarina sódica e o
acessulfame de potássio. Em relação à
estévia, os resultados são controversos, já
que há poucos estudos realizados a fim de
certificar tal efeito; em um estudo, os
autores afirmam que não há relação entre o
consumo de estévia antes da refeição e o
aumento de consumo de alimentos durante a
mesma. Porém, em outro estudo, observa-se
que a estévia tem efeito similar ao da
sacarina no aumento de peso. Já para o
aspartame, foi observado um interessante
resultado: uma vez encapsulado e
administrado em adultos saudáveis, não foi
observado um ganho de peso. Porém, se
administrado na forma de pó, onde os
indivíduos conseguem sentir o sabor doce, há
um aumento considerável no peso corporal,
por meio do aumento da fome e da ingestão de
alimentos. Isto, talvez, fundamente as
hipóteses citadas acima, já que ambas são
acionadas a partir da sensação do sabor
doce.
Alguns estudos ainda observaram que tanto a
falta de saciedade quanto a desregulação da
fase cefálica, provocados pelos adoçantes
artificias, se prolongam por certo tempo
após a retirada do adoçante da dieta do
indivíduo. Isto mostra que tais alterações
metabólicas, promovidas pelo alto consumo de
adoçantes, não são dependentes da presença
dos mesmos para se manterem e, também, não
se sabe quanto tempo o corpo leva para
reverter tal situação.
A partir da literatura revisada, podemos
então afirmar que a escolha de bebidas e
preparações adoçadas com açúcar é melhor do
que as adoçadas com adoçantes artificiais?
Não. O açúcar é um alimento altamente
calórico e que não possui quase nenhum
nutriente, podendo seu excesso gerar uma
série de doenças. Além disso, alguns estudos
verificam a hipótese de que o açúcar
apresenta um potencial viciante, já que ao
ser ingerido desencadeia uma série de
alterações neuroquímicas no corpo, similares
à administação de drogas, como morfina, que
promovem a liberação de opioides e
dopaminas, as quais levam ao vício.
E qual seria a solução para tal impasse?
Reduzir a utilização de açúcares e adoçantes
artificiais em bebidas, bem como a ingestão
de bebidas industrializadas já adoçadas. Tal
medida visaria modificar os costumes do
indivíduo a fim de diminuir a preferência
deste por alimentos e bebidas altamente
doces. Como substituto ao açúcar, bem como
aos adoçantes, o mel tem sido cotado como
melhor opção. Estudos que o compararam com o
açúcar, observaram que ele promove um menor
ganho de peso, diminuição na taxa sanguínea
de triglicérides e, ainda, diminui a
adiposidade. Desta forma, através da
reeducação alimentar, pode-se reduzir o
consumo de alimentos adoçados e optar por
soluções mais saudáveis no momento de
substituir o açúcar ou adoçante, evitando um
possível ganho de peso e contribuindo para
uma melhora na qualidade de vida e na saúde
da população.Natália Colombo
Nuticionista - CRN 22.681 -
nacolombo2004@yahoo.com.br
Fonte: www.vponline.com.br |